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Um gênio da música chamado Fernando Maranho

16/03/2020 22:16

Desde que conheci Fernandão nos anos 90, sempre que ele está no palco com alguma de suas inúmeras bandas, fico ali por perto vendo o que ele está aprontando na guitarra, afinal de contas, quando um gênio de qualquer instrumento passa pela timeline da vida, é sempre bom chegar junto. 

Nosso primeiro contato rolou na casa do Serginho Batera que é meu amigo de infância e tinha uma banda cover com ele nos anos 90, naquela época, a guitarra virtuosa, o metal melódico, os solos intermináveis etc estavam em alta no mundo dos jovens e talentosos guitarristas do interior, e, remando contra essa maré, Fernandão construiu um estilo único baseado em timbres, ruídos, tempos não convencionais, afinações incomuns e muita personalidade. 

Após lançar diversos discos com suas bandas Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro e, de ter participado da gravação de álbuns de outros artistas, em 2016, saiu seu primeiro trabalho solo, Hipercubo, que chega com uma canção que arrepia qualquer um quando começa com uma levada de violão acompanhada de um belo sintetizador que vai crescendo e volta pra trás te tirando do prumo quando ele sai cantando um som lindo/maravilhoso que remete com força ao que há de melhor na psicodelia mundial. O disco segue com uma música boa atrás de outra música boa e conta com participações de Tatá Aeroplano, Hélio Flanders, Meno Del Picchia, João Sobral, Didé Vivian e Mayara Moura que canta minha música favorita do álbum, Witch (já já falamos mais dela). 

Para sair do papel, Hipercubo recebeu apoio da Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Bragança Paulista, prometi pra mim mesmo que não ía falar de política nessa coluna, mas dessa vez não vai ter jeito, pois, infelizmente, o resultado do último edital da Lei saiu em 2015 e eu sempre me pego imaginando quanta coisa legal como esse disco o governo local poderia ter financiado desde então — só pra constar — em seu plano de governo,  Jesus Chedid mentiu quando disse com todas as letras que “faria uma readequação e um fortalecimento da Lei de Incentivo à Cultura com normas justas e acessíveis aos artistas e empreendedores culturais do Município, bem como a frequência anual dos editais.”, resumindo, mentiu e enganou o eleitorado bragantino, já que, nada disso ganhou vida e as únicas coisas no campo da cultura que o Prefeito fez até agora foi ser condenado pela justiça por uma contratação irregular e tirar todo o poder que o Conselho Municipal de Política Cultural tinha na tomada de decisões da pasta.

Findado o momento de ódio, na época que o disco saiu, eu e Jerusa tínhamos um Gol 1.000 com um aparelho de CD com defeito que quando o disco prata entrava lá, ele dificilmente saía, e, não há dúvidas que a veia grunge dos meus filhos se deve única e exclusivamente ao problema do som desse carro que recebeu em seu interior o Nevermind do Nirvana, o disco azul do Weezer, o Longe de onde da Karina Bhur, e o Hipercubo do Fernando Maranho. 

Na época do Hipercubo no carro, Júlio, meu filho mais novo devia ter uns 8 anos e ele simplesmente não acreditou que eu e Fernando Maranho éramos amigos, na cabeça dele, Fernandão era tipo os caras do Pearl Jam. 

Voltando a canção Witch, no final do ano passado, o Leptospirose fez uma apresentação de fim de ano com vários convidados e Fernando foi um deles, tocamos uma música dos Pixies, um Chico Buarque com Tatá Aeroplano no vocal e duas músicas dele, A mega incrível Witch e o rock Bob & Alice, canção punk rock que está presente em seu novo trabalho, Monkey Byte. 

Tocar esses sons foi uma das coisas mais legais que rolaram comigo nos últimos tempos, um sensação doida rock and roll, riffs geniais, melodias vocais incrivelmente bem elaboradas, nuances de guitarra que os leigos só conseguem sacar ouvindo e vendo e por aí vai. 

Tomem banho, lavem as mãos e desejem junto comigo, vida longa ao geek mais jurássico do nosso município, Mister Fernando Maranho. 

Conheçam o álbum Hipercubo de Fernando Maranho no Spotify.


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